marilena

Marilena era da mais vermelha carne
que o cetim já ajudou transparecer
sob as nódoas de batom que acumulava
a carapaça madalênica, falena
que ri na madrugada e pelas horas
ululava,
a se fazer anoitecer

morava com Asturias e Novena
que choraram azeite de hibisco
que a menina lhes dissimulou
arrancando-lhes da vista
sob o risco da ferrugem
se descoloriu num pranto de pena
de dó de si mesma, desapegada
pequena

viram-na no manto de retalhos
de suas partes, trouxeram-na sua recolha
oferenda
Marilena, se alimentou de seus amantes
consumiu-lhas a paciência e a paz
Asturias e Novena
envelheceram em vigília

e a aranha, Marilena, na penumbra
recolheu a beleza como do galho
subtraiu-lhas dos lábios a cor
no busto de Asturias um talho
e enquanto agora uiva a rubra Marilena
ouve-se dentre portas a portas
de Novena, surda e feia, a cantilena

~ por gubeda em fevereiro 2, 2011.

Uma resposta to “marilena”

  1. prodigiosa a teia da sua poesia. sempre me espanto.

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